• Caroline Rodrigues

Dica de leitura - "Nojo", de Divanize Carbonieri

Atualizado: Mai 31

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O livro "Nojo", da autora Divanize Carbonieri (Carlini&Carniato Editorial, 2021), fez com que eu me sentisse dentro de uma arena. Lá do centro eu olhava para o escuro onde eu sabia que havia muitas pessoas, todas misturadas e únicas. Conforme a leitura avançava, eu era, aos poucos, desnudada e tentava, em vão, cobrir meu corpo com minhas mãos e me encolhia cada vez mais.

A sensação opressora que essa leitura me causou é muito comum à maioria das mulheres. As diversas vozes que compõem a narrativa sem sinais gráficos, sem ponto final ou parágrafos, serão reconhecidas em alguma pessoa por qualquer mulher que leia o texto.

Dessa plateia no escuro, você vai ver alguma cabeça emergindo e voando até a sua frente para gritar algum daqueles julgamentos em relação ao seu corpo. E você, com certeza, vai lembrar de algum momento na sua vida em que alguém lhe disse algo sobre como o seu corpo é ou como deveria ter sido ou como ficaria melhor. Sempre há algo a melhorar no corpo feminino. A indústria dos cosméticos que o diga.

É incrível o quanto dessas vozes me soou feminina e o quanto dessas vozes falava sobre o próprio corpo. A forma como a autora escreveu o livro, misturando as vozes, sem identificá-las, é incrível porque na nossa cabeça tudo fica assim, misturado, até chegar a um ponto em que você quase nem lembra mais de quem é aquela voz e ela se tornar sua. Você acaba comprando aquela ideia e, de tanto ouvi-la, se torna uma verdade.

Não é novidade para ninguém que o Brasil é o país número 1 em cirurgias plásticas no mundo. E também não é novidade que se submeter a uma cirurgia é um risco que pode levar à morte ou a outras sequelas. Dentro desse contexto, a leitura do livro Nojo é quase que obrigatória para que possamos criar a consciência de que essas vozes são de outros e que não devem ser tomadas como verdades. Ou para que seja feita uma reflexão sobre a nossa própria postura em relação ao corpo das mulheres, para refletirmos antes de nos tornarmos uma daquelas vozes.

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